Edição 3

Edição 3 - 06.05.21

RE:Convite para participação na Edição #3 da Revista Tonel

Maria Isabel Galdino

Boa tarde a todes da Equipe Tonel! Tudo bem com vocês?

Em primeiro lugar, quero pedir desculpas pela demora em responder. As coisas andam malucas.

Por ocasião da pandemia, do meu trabalho na pandemia, do meu estudo na pandemia, das minhas tentativas de descanso na pandemia, a minha rotina se altera toda semana; e estive pensando se nessa loucura darei conta de construir algo digno de compartilhar e, especialmente, nesta revista que muito admiro. O que há para dizer? Quando paro e penso, paro e não penso. Vem um barulho tão grande, e depois um profundo silêncio. Só nele me sinto aconchegada. Só ele tem dado voz às contradições desse período. 

Juro que sentei pra escrever algumas vezes. Achei que o problema era estar sentada então levantei e fui lavar louça, passar pano na cozinha, lavar o banheiro (de repente a minha gata decidiu que iria começar a fazer xixi no banheiro, acredita? Claro, no lugar errado, o que tem me custado um tempo não planejado de limpeza). Não rolou. Não escrevi.

Também não acho que eu seja a melhor pessoa pra escrever. Sinto minha potência política sufocada. Como se pode escrever assim? Dia após dia, ando engrandecendo pequenos problemas e me anestesiando dos grandes. Levando o burnout para terapia, mas definhando de tédio. Comendo fotos e led no almoço e no jantar, mas sem produzir uma imagem sequer na cabeça. Me produzindo para simplesmente ir ao mercado, e rezando para que isto não seja o meu portal para a vida além. Todo dia esbarrando na insuficiência do indivíduo, e me agarrando no yoga às portas fechadas. Meio hipócrita, meio irônico. Não sei.

Isso quando não me sinto jogada numa competição entre os demais trabalhadores pelo pódio do serviço essencial, no merecimento da vida. 

Sinceramente, aceitei que eu não tenho o que dizer. Vocês publicam espaços vazios? Se sim, eu indico pra me representar. Não sei exatamente se vai ter valor artístico. Isso já é com vocês.

A partir disso, prefiro não me comprometer com este prazo estipulado, mas também não consigo pensar em outro que, neste momento, seja certeiro pra eu propor a vocês. Assim, por medo de não fazer algo que eu considere à altura, fico lisonjeada com o email, mas no momento não vou conseguir enviar minha contribuição.

 

Agradeço especialmente ao Caio pelo carinho do convite.

Espero que essas palavras encontrem a todes bem. E as suas pessoas amadas também.

 

Beijos,

Maria.

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Maria Isabel Galdino é uma mulher negra e educadora. Aprendiz de professora (na teoria e na prática), é formada em Filosofia e estudante de Pedagogia. Se interessa por fenomenologia, educação, religiões e pela liberdade como um patrimônio coletivo.

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