Edição 3 - 20.08.21

Aqui, agora

Gabriel Fampa

No período de quarentena, notei uma imagem. Em um apartamento do prédio vizinho, havia uma réplica do quadro Abaporu, da artista modernista brasileira Tarsila do Amaral.

Observar uma réplica de Abaporu na residência particular de um bairro de classe média alta (Barra da Tijuca) em meio ao contexto pandêmico e de desmonte das políticas públicas nacionais pelo governo federal, atravessa todo o contexto de mentalidade progressista do movimento artístico modernista, fundamentado em um imaginário idealista de evolução e historicismo. O que nos resta, agora que a réplica do modernismo remete apenas ao sonho perdido do progresso? A pergunta, efetivamente, talvez seja: “como nos reinventar coletivamente, artisticamente e politicamente frente ao vazio que deseja tomar conta?”

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Gabriel Fampa é artista e pesquisador, doutorando em Arte, Imagem e Escrita pela UERJ, mestre em Artes Visuais pela EBA – UFRJ e bacharel em Ciências Sociais pelo IFCS – UFRJ. Fez diversos cursos, destacando o programa Práticas Artísticas Contemporâneas (EAV – Parque Lage). Investiga o absurdo na arte contemporânea. A acumulação, a relação entre a parte e o todo, e o estranho são temáticas que tendem a fluir do corpo de obras que produz.

 

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