Edição 3

Edição 3 - 24.09.21

Acene ao chegar + Sem título + Fúria

Niki Nomura + Lorena Amorey + Renata Barbosa Reis

entre uma curva e outra
impulsionadas por uma força quase infinita
feitos num gesto quase sem freio
eu te dou minha palavra quase torta
sobre a minha quase morte
sobre a minha quase vida
sobre a língua que não fala
mas quase mexe dentro da boca
pelo disparo do pensamento
e quando não posso comigo
a palavra pode comigo
eu posso com ela
ela consegue me carregar
em cima de suas costas
suspende o peso e vira sopro
suspende o sopro e vira vento
suspende o vento e vira corpo
suspende o corpo e vira pó
segura o nó e vira palavra
encapa o choro e vira aço
faz a corda virar tábua
pra passar por cima do fundo do poço
a luz dispersa dentro do crânio
engrandece e vira farol
um brilho que não cega
uma ponta que não fura, só atravessa
bate forte e me deixa dormir
pesa no meio do peito e me deixa descansar
entre um suspiro e outro
caminho devagar em cima das brasas
indo atrás de um sonho que às vezes me esqueço
quando lembro
nem parece que bate forte
nem parece que pesa no peito
nem parece brasa
nem parece que me esqueço.

• • •

Niki Nomura: O artista combina o acaso da busca e uso de materiais de refugo com o primado do cálculo fino e da precisão.

Lorena Amorey: Jovem artista visual, atualmente trabalhando com pintura e palavras. Apaixonada e incorrigível.

Renata Barbosa Reis: Utilizo a fotografia analógica como ferramenta para festejar a beleza da luz que desenha o mundo e como manifesto à favor do tempo que nos é roubado. Sinto me apropriar da invisibilidade que nos é posta e, contraditoriamente, me ponho a investigar a normalidade espantosa da vida em sociedade, talvez como tentativa de insinuar que o impossível costuma acontecer com certa frequência.

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